Março chega, e com ele a informação de que no dia 11, as 14hrs, o Ed Force One pousaria no aeroporto internacional Eduardo Gomes, centenas de fãs aguardavam ansiosos, a euforia tomou conta do "Eduardão", muitos levaram cd's, posters e até discos de vinil, outro fator importante foi a presença de alguns fãs de outros estados, que chegaram em Manaus dias antes do show, ao descer na pista de pouso, os fãs já gritavam "Maiden, Maiden" sem parar, alguns chegaram a lagrimar, afinal de contas, o Maiden estava em Manaus, fato inédito, e no dia seguinte faria o tão aguardado show. Da pista, a banda foi de van até o Tropical Hotel, um forte esquema de segurança foi montado, mesmo assim, muitos fãs foram ao hotel, onde foram barrados na portaria, mas aproximadamente 50 pessoas conseguiram entrar e ver seus ídolos por alguns segundos.
Dia 12 de Março, o clima nublado preocupa os fãs, chove forte durante a tarde, e mesmo assim a fila na frente do sambódromo não é desfeita, as 17hrs, o clima nublado continua, matendo a temperatura baixa, é comum ver um fã agitando a bandeira da sua cidade natal, fãs dos estados do Acre, Rondônia, São Paulo, Belém e até do sul estavam presentes, misturado com os fãs locais, aumentando a expectativa para o show de mais tarde, os portões foram abertos pouco depois das 18hrs, os fãs estavam enlouquecidos, gritando “Maiden, Maiden” sem parar, jornais faziam matéria ao vivo, filmando a fila que parecia não ter fim, muito fãs (principalmente de fora) foram entrevistados.
O Centro de Convenções (Sambódromo) em poucos minutos é tomado pelo público, a área vip é tomada, as duas arquibancadas enchem, a pista e os camarotes também, Lauren Harris entra no palco, seu show durou aproximadamente 40 minutos, ela conseguiu agitar o público presente, mas o foco da noite era o Maiden.
As luzes apagadas, no som mecânico a música “Doctor Doctor” da banda UFO aumenta o nervosismo dos fãs, seguida da instrumental “Transilvania”, depois o famoso discurso “Churchill's Speech” anuncia que o show vai começar, fãs começam a se manifestar gritando “Maiden” sem parar, a intro de Aces High seguida da primeira explosão deixa o público em puro êxtase, Bruce e cia são verdadeiros monstros no palco, devido a sua resistência e presença de palco, a música, assim como todas as outras, é cantada pelo público enlouquecido, que parece não acreditar que esta vendo o show da melhor banda de heavy metal do planeta, o Iron Maiden. Após Aces High, Bruce já sente a energia do sambódromo, em muitos momentos do show, ele fica com um olhar curioso, e ao mesmo tempo surpreso com a força de Manaus. Logo a criança furiosa “Wrathchild” começa, seguida da clássica “2 Minutes to Midnight”, Bruce começa a interagir com o público e anuncia outro clássico – Children of the Damned – os fãs acompanham a música, de olhos fechados em certos trechos, depois um clássico do primeiro disco (Iron Maiden) leva os fãs a loucura (novamente), a “Phantom of the Opera” levou os fãs mais antigos a sensação de nostalgia pura, muitos estavam na
primeira apresentação do Maiden no Brasil (Rock in Rio I-1985). As luzes são apagadas, Bruce some do palco, a faixa por trás do palco, que faz referência as músicas tocadas, apresenta o Eddie guerreiro com a bandeira da Inglaterra, antes mesmo da música começar, os fãs gritam em coro, levantam os braços, fazendo o gesto universal com as mãos, Bruce aparece vestido de militar e segura a bandeira da Inglaterra, executando “The Trooper” em performance ímpar, pulando e correndo pelo palco. A intro de “Wasted Years” arrepia todos os presentes, principalmente os que estavam próximos do palco (área vip), (momento este, nos remete a famosa cena no show de Porto Alegre-2008, onde um fã jogou seu aparelho celular no palco, Bruce pega o aparelho e faz uma “ligação” para sua mãe, logo depois anuncia a música Wasted Years) o refrão (um dos mais bonitos da donzela) é cantado por todos, Bruce novamente lança olhares de surpresa, sempre atento a reação dos fãs.
Um dos ápices da noite se dá quando a “Rime of the Ancient Mariner” começa a ser tocada, a mais longa música da Donzela é considerada um clássico, pelas suas variações, solos e mudança nos vocais (de Bruce), seguindo com outro clássico do álbum de 1984, a próxima música é “Powerslave”, Bruce (mais uma vez) leva os fãs ao delírio, quando aparece mascarado, ao final, Nicko começa a batucar “Run to the Hills”, em seguida, - apenas com 10 segundos de Riff - o Sambódromo volta toda a sua atenção para o Bruce, pois “Fear of the Dark” começou, todos cantam junto com o vocalista, e após o “YEAH”, o Sambódromo estremece, vale frisar a presença de palco dos guitarras, com destaque para Janick (Gers) que não parava de fazer firulas com a guitarra, a dobradinha “Hallowed Be Thy Name” (um dos hinos da banda) e “Iron Maiden” deixou os fãs extasiados, sem controle, muitos chegaram a chorar durante a introdução de “Hallowed Be Thy Name”, a banda se “despede” do público (que nem pensa em sair do Centro de Convenções); baquetas, munhequeiras, palhetas são arremessadas, e disputadas pelos fãs, mas sem confusão, o palco permanece escuro, parece ser o fim da apresentação, mas não é.
A famosa passagem Bíblica (sobre o número da besta), anuncia “The Number of the Beast”, o ilustre Eddie (versão somewhere in time) da o ar de sua graça, interagindo com os músicos, causando um tsunami de flashes (das máquinas digitais) durante sua apresentação, Steve (assim como Bruce) corria pelo palco, apontava seu baixo para o público diversas vezes, o carismático Dave (Murray) impecável nos solos e Adrian (Smith) com o seu jeito particular de tocar guitarra, com a sua tradicional bandana deram conta do recado, não esquecendo de Nicko (Mcbrain) que mesmo coberto pela sua bateria, levantava os braços, sorria, cantava, esse é o Iron Maiden nos palcos.
O espetáculo chegava ao fim, “The Evil That Men Do” foi cantada por todos, e “Sanctuary” fechou a apresentação, mas antes, no meio da música, Bruce interrompe o show para falar do retorno ao Brasil (em 2011, com a turnê do novo álbum de estúdio) e da vontade de voltar a Manaus, minutos depois os fãs começam a cantar “Happy Birthday To You”, parabenizando Steve Harris (53) que ficou emocionado, em certo momento Bruce fica sentado, admirado com a quantidade de pessoas, o público grita “Olê, olê, olê, olê, Bruce, Bruce” deixando um dos melhores vocalista do mundo boquiaberto.
Foi uma apresentação impecável, a primeira na região norte, o primeiro da segunda parte da turnê, um “banho” de (eternos) clássicos do Maiden em apenas uma noite (2 hrs de apresentação), a banda segue a turnê, se apresentando no Rio de Janeiro (14), São Paulo (15), Belo Horizonte (18), Brasília (20) e Recife (31).
Manaus deixou seu recado para o Brasil, que pode ser uma das capitais escolhidas para apresentações de bandas estrangeiras, não deixando a desejar no quesito organização e animação.
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